Maria Keil morreu aos 97 anos

ImageImage10.06.2012 – 15:52 Por Lusa

A artista plástica Maria Keil, 97 anos, autora de vários painéis de azulejos das primeiras estações do metropolitano da capital, morreu neste domingo em Lisboa.

 Maria Keil definia-se como uma “mulher de várias artes”, mas notabilizou-se na azulejaria, o que lhe valeu em Maio o prémio especial SOS Azulejo Obra e Vida. Natural de Silves, era viúva do arquitecto Francisco Keil do Amaral.

Afirmava-se como “uma artista”: pintora, desenhadora, ilustradora, decoradora de interiores, designer gráfica e de mobiliário, ceramista, cenógrafa e figurinista, autora de cartões para tapeçaria “e, sobretudo, de composições azulejares”.

Em 2009, em declarações à agência Lusa, afirmou: “Trabalho com muito gosto, na realidade faço o que se faz há milhares de anos, uma técnica conhecida, o quadrado de 14X14 cm e com tintas de água”, disse, entre risos. “É um material pobre, talvez por isso não seja tão apreciado”, acrescentou.

Maia Keil a partir da década de 1950 e ao longo da seguinte dedicou-se especialmente ao azulejo, tendo realizado gratuitamente a decoração azulejar de todas as estações do Metropolitano de Lisboa inaugurado em finais de 1959.

Contou que o marido, responsável pela rede do metropolitano de Lisboa, “chegou a casa preocupado com falta de dinheiro para acabar o projecto” quando ela lhe sugeriu os azulejos.

“É uma arte barata, mas vistosa, e muito adequada aos espaços públicos. Por ordem do [Presidente do Conselho] Oliveira Salazar, os azulejos não podiam ser figurativos, daí ter optado pelo abstracto”, contou.

Em 2009 voltou a trabalhar no metropolitano, desta feita com o arquitecto Tiago Henriques, na extensão da estação de S. Sebastião da Pedreira, para a qual fizera os primeiros painéis, em 1959.

Também nesse ano, foi distinguida com o Grande Prémio Aquisição pela Academia Nacional de Belas Artes. Na ocasião, o presidente da Academia, António Valdemar afirmou: “Maria Keil tem um lugar muito representativo no panorama português do século XX da pintura, do desenho, da cerâmica, da ilustração e ‘design’ do livro e até da filatelia”

Maria Keil estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde frequentou as aulas do pintor Veloso Salgado. Iniciou a actividade aos 20 anos, dedicando-se sobretudo ao retrato, naturezas-mortas e também à decoração.

Em 1937, executou um motivo decorativo na “Salle IV – Outremer” do Pavilhão de Portugal, na Exposition Internationale de Paris e dois anos mais tarde, realizou a primeira exposição individual de pintura e desenho na Galeria Larbom, em Lisboa.

Em 1940 foi uma das artistas da Exposição do Mundo Português, e ao longo dessa década realizou vários projectos de decoração mural, mobiliário, cenários e figurinos para o Grupo de Bailados Verde Gaio, e cartões para tapeçarias, designadamente as de Portalegre.

Uma outra actividade paralela que manteve foi a de ilustradora para publicidade.

Em 1941 foi distinguida com o Prémio de revelação Souza-Cardoso pelo seu “Auto-Retrato”. Em 1970 esteve presente na exposição “Maioliche Portoghesi”, em Florença (Itália).

Na década seguinte com bolseira da Fundação Gulbenkian, concretizou um projecto de estudo sobre as tendências da ilustração para crianças.

Como autora e ilustradora publicou cinco livros: “O Pau-de-Fileira”, “Os presentes”, “As três maçãs”, para crianças, e “Árvores de Domingo” e “Anjos do mal”, para adultos. Ilustrou numerosas obras, nomeadamente livros para crianças, de autores como Matilde Rosa Araújo ou Aquilino Ribeiro de quem dizia “gostar particularmente”.

Fez desenhos para as colectâneas sobre Bernardim Ribeiro, Castro Alves, Olavo Bilac e Tomás António Gonzaga, integradas na colecção “As mais belas poesias da língua portuguesa”.

É também autora de ilustrações para revistas, entre as quais Panorama, Seara Nova, Vértice, Ver e crer e Eva.

O velório de Maria Keil realiza-se hoje a partir das 18h na igreja de São João de Deus, em Lisboa, à praça de Londres, onde segunda-feira, pelas 15h, se realizam as exéquias, seguindo-se o funeral no Cemitério da Apelação, no concelho de Loures.

 

Fonte: Público, 10.06.2012

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